PALAVRAS DE RAMATIS 05


PALAVRAS DE RAMATIS 05.

 
FISIOLOGIA DA ALMA.

A Alimentação Carnívora e o Vegetarianismo.

PERGUNTA: — Porventura, o homem evangelizado, que se alimenta de carne, contraria
ainda as disposições divinas? Não existem tantos vegetarianos de má conduta e até pervertidos?
RAMATÍS RESPONDE: — Não temos dúvida em afirmar que mais vale um carnívoro evangelizado
do que um vegetariano anticrístico. Mas não estamos cogitando agora das qualidades espirituais
que devem ser alcançados por todos os entes humanos, mas sim considerando se procede bem ou
não a criatura evangelizada que ainda coopera para o progresso dos matadouros, charqueadas,
frigoríficos ou matanças domésticas. A alma verdadeiramente evangelizada é plena de ternura,
compassividade e amor; o espírito essencial-mente angélico não se regozija em lamber os dedos
impregnados da gordura do irmão inferior, nem se excita na volúpia digestiva do lombo de porco
recheado ou da costela assada, com rodelas de limão por cima.
E profundamente vergonhoso para o vosso mundo que o boi generoso, cuja vida é
inteiramente sacrificada para o bem da humanidade e o prazer glutônico e carnívoro do homem,
seja mais inteligente que ele em sua alimentação, que é exclusivamente vegetariana! Não se
compreende como possa o homem julgar-se um ser adiantado, ante o absurdo de que o animal
irracional prefere alimento superior ao do seu próprio dono, que é dotado do discernimento da
razão!
Louvamos incondicionalmente o homem evangelizado, ainda que carnívoro, mas o
advertimos de que, enquanto mantiver no ventre um cemitério, há de ser sempre um escravo
preso à roda das reencarnações retificadoras, até acertar as suas contas cármicas com a espécie
animal!

Se ele é um evangelizado, deve saber que o ato de sugar tutano de osso e devorar bifes o retém
ainda bem próximo dos seus antepassados silvícolas, que se devoravam uns aos outros devido à
sua profunda ignorância espiritual. A ingestão de vísceras cadavéricas e o ato de matar o irmão
inferior tanto distanciam a fronteira entre o anjo e o homem, como agravam o fardo cármico para
os futuros ajustes espirituais.

PERGUNTA: — Mas não nos estamos referindo à ação de matar, isto é, de tirar a vida,
porquanto muitíssimas criaturas carnívoras, mas cuja bondade e piedade conhecemos, não são
capazes de matar um simples inseto, quanto mais de destruir uma ave ou animal!
RAMATÍS RESPONDE: — Os corações integralmente bondosos e piedosos não só evitam matar o
animal ou ave, como ainda não têm coragem para devorar-lhes as entranhas sob os temperos de
cebola, sal e pimenta... Aquele que mata o animal e o devora ainda pode ser menos culpado,
porque assume em público a responsabilidade do seu ato. No entanto, o que não mata, por
piedade ou receio de remorso, mas devora gostosamente a carne do animal ou da ave, trucidados
por outros, age manhosamente perante Deus e a sua própria consciência. A piedade à distância
não identifica o caráter bondoso, pois muita gente foge aflita, quando o cutelo fere o infeliz
animal, mas retorna satisfeita logo que a panela pára de ferver e as vísceras se apresentam
apetitosas. Isso lembra o clássico sábado de “Aleluia”, em que os fiéis se mantêm em estóico
jejum de carne, na Quaresma preceituada pela Igreja, mas estão aguardando ansiosamente que o
relógio marque o meio-dia, para então se atirarem famintos sobre os retalhos fumegantes, que se
cozem na moderna panela de pressão! O homem “piedoso”, que se recusa a assistir à matança do
animal, é quase sempre o mais exigente quanto ao assado e ao tempero destinado à carne
sacrificada à distância.

PERGUNTA: — A recusa em matar o animal ou ave já não é um protesto contra a
existência de matadouros e charqueadas? isso não comprova a posse de uma alma com melhor
aprimoramento espiritual?
RAMATÍS RESPONDE: — As criaturas que matam a ave ou o animal no fundo do quintal, ou que
obtêm o seu salário no trabalho dos matadouros, podem ser almas primitivas, que não avaliam o
grau de sua responsabilidade espiritual junto à coletividade do mundo físico. Mas aqueles que
fogem na hora cruel do massacre do irmão bem demonstram compreender a perversidade do ato
e o reconhecem como injusto e bárbaro. Em conseqüência, ratificam o conhecimento de sua
responsabilidade perante Deus, recusando-se a assistir àquilo que em sua mente significa severa
acusação ao espírito. Confirmam, portanto, ter conhecimento da iniqüidade de se matar o animal
indefeso e inocente. E óbvio que, se depois o devoram cozido ou assado, ainda maior se lhes
torna a culpa, porque o mesmo ato que condenam, com a ausência deliberada, fica justificado
pessoal e plenamente na hora famélica da ingestão dos restos mortais do animal.
Os fujões pseudamente piedosos não passam, aliás, de vulgares cooperadores das mesmas
cenas tétricas do sacrifício do animal; o consumidor de carne também não passa de um acionista
e incentivador da proliferação de açougues, charqueadas, matadouros e frigoríficos.

O vosso código prevê, na delinqüência do vosso mundo, penas severas tanto para o
executor como para o mandante dos crimes de co-participação mental, pois a responsabilidade
pesa sobre ambos. Os que não matam animais ou aves, por piedade, mas digerem jubilosamente
os seus despojos, tornam-se co-participantes do ato de matar, embora o façam à distância do
local do sacrifício; são, na realidade, cooperadores anônimos da indústria de carnes, visto que
incentivam o dinamismo da matança ao consumirem a carne que mantém a instituição fúnebre
dos matadouros e do trucidamento injusto daqueles que Deus também criou para a ascensão
espiritual.

PERGUNTA. — Cremos que muitos seres divinizados, que já
viveram em nosso mundo, também se alimentaram de carne; não é verdade?
RAMATÍS RESPONDE: — Realmente, alguns santos do hagiológio católico, ou espíritos
desencarnados considerados hoje de alta categoria, puderam alcançar o céu, apesar de comerem
carne. Mas o portador da verdadeira consciência espiritual, isto é, aquele que, além de amar, já
sabe por que ama e por que deve amar, não deve alimentar-se com a carne dos animais. A alma
efetivamente santificada repudia, incondicionalmente, qualquer ato que produza o sofrimento
alheio; abdica sempre de si mesma e dos seus gozos em favor dos outros seres, transformando-se
numa Lei Viva de contínuo benefício e, na obediência a essa Lei benéfica, assemelha-se à força
que dirige o crescimento da semente no seio da terra: alimenta e fortifica, mas não a devora!
Essa consciência espiritual torna-se uma fonte de tal generosidade, que toda expressão de
vida do mundo a compreende e estima, pela sua proteção e inofensividade. Sabeis que Francisco
de Assis discursava aos lobos e estes o ouviam como se fossem inofensivos cordeiros; Jesus
estendia sua mão abençoada, e as cobras mais ferozes se aquietavam em doce enleio; Sri
Maharishi, o santo da Índia, quando em divino “samadhi”, era procurado pelas aranhas, que
dormiam em suas mãos, ou então afagado pelas feras, que lhe lambiam as faces; alguns místicos
hindus deixam-se cobrir com insetos venenosos e abelhas agressivas, que lhes voam sobre a pele
com a mesma delicadeza com que o fazem sobre as coroas das flores! Os antigos iniciados
essênicos mergulhavam nas florestas bravias, a fim de alimentarem os animais ferozes que eram
vítimas das tormentas e dos cataclismos. Inúmeras criaturas gabam-se de nunca haverem sido
mordidas por abelhas, insetos daninhos, cães, ou cobras. Geralmente são pessoas vegetarianas,
que assim mantêm integralmente vivo o amor pelos animais.
As almas angelizadas, que já chegaram a compreender realmente o motivo da vida do
espírito no mundo de formas, que possuem um coração magnânimo e incapaz de presenciar o
sofrimento dos animais, também não lhes devoram as entranhas, do mesmo modo como os
verdadeiros amigos dos pássaros não os prendem em gaiolas mesmo douradas! E ilícito ao
homem destruir um patrimônio valioso que Deus lhe confia para uma provisória administração
na Terra; cumpre-lhe proteger desde a flor que enfeita a margem dos caminhos até ao infeliz
animal escorraçado e que só pede um pouco de pão e de amizade. O devorador de animais, por
mais evangelizado que seja, ainda é um perturbador da ordem espiritual na matéria; justifique-se
como quiser, mas a persistência em nutrir-se com despojos animais prova que não se adaptou
ainda, de modo completo, aos verdadeiros objetivos do Criador.

PERGUNTA: — Qual a reação psicofísica que deve sentir a pessoa, sob o impacto do
fluido magnético-astral que se liberta da carne de porco?
RAMATÍS RESPONDE: — A reação varia de conformidade com o tipo individual: o homem comum,
e demasiadamente condicionado à ingestão de carne de porco, sentir-se-á ainda mais fortalecido
e instigado energeticamente para a vida de relação, assim como um motor pesado e rude
funciona melhor com um combustível mais grosseiro. Os homens coléricos, irascíveis e
descontrolados nas suas emoções, que se escravizam facilmente aos impulsos do instinto animal,
são comumente fanáticos adoradores das mesas lautas, e grandemente afeiçoados às
churrascadas.
O magnetismo vital inferior, que incorporam continuamente ao seu organismo físico e
astral, ativa-lhes bastante os centros do comando animal, mas prejudica-lhes a natureza angélica
no metabolismo para a absorção de um magnetismo superior. As reações variam, portanto,
conforme a sensibilidade psíquica e a condição espiritual dos carnívoros; um simples pedaço de
carne de porco, que seria suficiente para perturbar o perispírito delicado de um Gandhi, ou de um
Francisco de Assis, poderia acelerar a vitalidade do psiquismo descontrolado de um Nero ou de
um Heliogábalo!

PERGUNTA: — Desde que estamos operando num mundo físico e compacto, que
requer de nós atividades exaustivas, não poderá o abandono da alimentação carnívora provocar-
nos uma anemia perigosa?
RAMATÍS RESPONDE: — Sabeis que o corpo humano é apenas uma conglomerado de matéria
ilusória, em que um número inconcebível de espaços vazios, interatômicos, predomina sobre
uma quantidade microscópica de massa realmente absoluta. Se pudésseis comprimir todos os
espaços vazios que existem na intimidade do corpo físico, até que ele se tornasse o que em
ciência se denomina “pasta nuclear”, reduzi-lo-íeis a uma pitada de pó microscópico, que seria a
massa real existente. O organismo humano é maravilhosa rede de energia, sustentada por um
gênio cósmico. O homem é espírito aderido ao pó visível aos olhos da carne; na realidade, é mais
nítido, dinâmico, verdadeiro e potencial no seu ‘habitat “espiritual, livre do pó enganador. Vós
ingeris grande quantidade de massa material, na forma de lauta alimentação, atendendo mais às
contrações espasmódicas do organismo, do que mesmo à sua necessidade magnético-vital. O
corpo, em verdade, só assimila o” quantum “de que necessita para suster a forma aparente, pelo
qual excreta quase toda a quota ingerida. Nos planetas mais evoluídos, a alimentação é quase
toda à base de sucos, que penetram na organização viva, alguns até pelo fenômeno comum da
osmose e absolutamente sem excreção. Neles, as almas apuradas sabem alimentar-se, em grande
parte, através dos elementos etéricos e magnéticos hauridos do Sol e do ambiente, inclusive o
energismo prânico do oxigênio da atmosfera.
Não vos será difícil comprovar que inúmeros operários mal alimentados conseguem
realizar tarefas pesadas, assim como os tradicionais peregrinos de passado, que pregavam a
palavra do Senhor ao mundo conturbado, viviam frugalmente e abjuravam a carne. O progresso
espiritual se evidencia em todos os campos de ação em que o espírito atua, pelo qual — se
realmente pretendeis alcançar o estado angélico — tereis também que procurar desenvolver um
metabolismo mais delicado e escolhido, na alimentação do vosso corpo.
A ascensão espiritual exige a contínua redução da bagagem de excessos do mundo animal. Seria
ilógico que o anjo alçasse vôo definitivo para as regiões excelsas, saudoso ainda da ingestão de
gordura dos seus irmãos inferiores!
PERGUNTA:— E se o homem teimar em se alimentar de carne, quais os recursos que os
Mestres poderão empregar para afastá-lo dessa nutrição?
RAMATÍS RESPONDE: — Sabeis que os excessos nas mesas pantagruélicas, principalmente na
alimentação carnívora, quando atestam a negligência e a teimosia do espírito humano para com a
sua própria felicidade, são sempre corrigidos com a terapêutica das admiráveis válvulas de
segurança espiritual, que aí no vosso mundo funcionam sob a terminologia clássica da ciência
médica com as sugestivas denominações de úlceras, cânceres, cirroses, nefrites, enterocolites,
chagas, inclusive a criação de condições favoráveis para “habitat” das amebas coli ou
histolíticas, giárdias ou estrongilóides, tênias, ou irrequietos protozoários de formas exóticas.
Sob a ação desses recursos da natureza, vão-se acentuando, então, as trocas exigíveis à entidade
espiritual, e a compulsória frugalidade vai agindo para a transformação exaustiva, mas
concretizável, do animal na figura do anjo. As excrescências anômalas e mórbidas, que se
disseminam pelo corpo físico, funcionam na prodigalidade de sinais de advertência, que regulam
harmônica e equitativamente o tráfego digestivo. Elas obrigam a dietas espartanas ou
substituições por nutrições mais delicadas, ao mesmo tempo que se retificam impulsos
glutônicos e se aprimoram funções que purificam o astral em torno e na intimidade da tessitura
etérica. Quantas vezes o teimoso carnívoro se submete a rigorosa abstinência de carne, devido à
úlcera gástrica que surge para obrigá-lo a se ajustar a uma nutrição mais sadia!

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