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A FERA DA PENHA(KILLER)

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Fera da Penha
Fera da Penha é a alcunha pela qual ficou conhecida Neide Maria Maia Lopes (Rio de Janeiro, 2 de março de 1937), presa pela acusação de
 seqüestro e assassinato de uma criança de 4 anos. O caso, ocorrido em 30 de junho de 1960, chocou a sociedade brasileira da época, tendo sido amplamente divulgado pela mídia.
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Antecedentes 

Neide Maria Lopes teria conhecido Antônio Couto Araújo na estação Pedro II (atual Central do Brasil) em fins de 1959, tendo iniciado relacionamento amoroso por algum tempo. Posteriormente, Antonio lhe revela ser casado, e desiste de abandonar sua família para viver com ela. Para se vingar de Antonio, Neide se aproximou de sua esposa Nilza e da filha do casal Tânia, de apenas 4 anos. Após ganhar a confiança de Nilza, Neide resolveu agir e decidiu seqüestrar Tania. 
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Crime 

No início da tarde de 30 de junho de 1960, Neide se dirigiu ao Instituto Joemar, escola onde Tânia estudava. Lá se passando por Nilza, conseguiu ludibriar funcionários e retirou Tânia do local, tendo perambulado com a criança durante o final da tarde e início da noite pelo bairro da Penha. Após chegar ao instituto por volta das 14h para levar a merenda de Tânia, Nilza descobriu que sua filha havia sido retirada por outra mulher, e, comunica o seqüestro à polícia.2 3 Ao cair da noite, por volta das 20h, Neide leva Tania para um galpão desativado do Matadouro da Penha. Munida de um revólver calibre 32, Neide atira na criança à queima roupa. Tentando ocultar o cadáver, Neide incendeia o corpo de Tania, evadindo-se do local pouco tempo depois.
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Investigações 

Durante as investigações sobre o seqüestro de sua filha Tânia, Antonio confessa a polícia que manteve um relacionamento extraconjugal com Neide durante seis meses, o que leva a polícia a detê-la para averiguações durante todo o dia 1º de julho. Pressionada, Neide, a princípio, nega o crime diante das autoridades e da imprensa presentes.
Por volta das 23h, um funcionário do Matadouro da Penha passava com seu cavalo pelos arredores do local, quando subitamente o animal de assusta com uma fogueira. Após apear do animal, o funcionário descobre o corpo carbonizado de Tânia no interior da fogueira.  A notícia se espalha rapidamente e, pouco tempo, a polícia chegaria ao local. Confrontada pela polícia e pela imprensa com a notícia da descoberta do corpo, Neide confessa o crime durante entrevista ao jornalista Saulo Gomes
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Detida no 24º distrito, bairro de Encantado, Neide precisou ser transferida para o prédio da Polícia Central, por conta do risco de invasão da delegacia por parte de populares. Durante a transferência, cerca de 300 pessoas depredaram uma viatura de polícia, utilizada para despistar a viatura que conduzia Neide. Nesse momento, a imprensa cria a alcunha de Fera da Penha para batizar o caso. Alguns dias depois, a polícia cancelou a reconstituição do caso após centenas de morares da Penha terem se organizado para linchar Neide no local do crime. Após alguns dias detida na Polícia Central, Neide foi transferida para a Penitenciária Lemos Brito, em Bangu. 
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Julgamento 

O julgamento ocorreu entre 4 e 5 de outubro de 1963. Após dezesseis horas de sessão, o juri votou pela condenação de Neide, pelo sequestro (7 votos a 0) e pelo homicídio (6 votos a 1). O juiz Bandeira Stampa, presidente do II Tribunal do Júri, proferiu a sentença de 33 anos de prisão (30 pelo homicídio e 3 pelo sequestro) em regime fechado. 9 Por conta da pena ter ultrapassado mais de 20 anos, um segundo julgamento foi solicitado pelo advogado de defesa. Esse julgamento ocorreu apenas entre 20 e 21 de abril de 1964.10 Esse segundo julgamento apenas confirmou a sentença (por 6 votos a 1). A decisão dos julgamentos só seria confirmada pela justiça em 1966.  

Consequências 

Após cumprir 15 anos de prisão (sendo sua pena reduzida através de indulto de 33 para 21 anos), Neide Maia Lopes é solta no dia 9 de outubro de 1975.  Viveu durante muitos anos em companhia dos pais, até o falecimento deste. Desde sua libertação até os dias atuais, tornou-se uma pessoa reclusa, vivendo em uma casa no bairro de Cascadura, Rio de Janeiro. 
Os pais de Tânia permaneceram juntos após a tragédia. Nilza perdoou o marido e o casal teve mais três filhos. A menina foi enterrada no cemitério de Inhaúma. Seu túmulo tornou-se ponto de peregrinação de fiéis de diferentes denominações religiosas, que associam a menina como benfeitora de muitos milagres.
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Na cultura popular 

O caso da Fera da Penha causou grande impacto na sociedade brasileira na década de 1960, tendo sido retratado nos principais jornais e revistas do país além de ter sido relatado em livros e utilizado como base para filmes e programas de televisão. O interesse pelo caso foi diminuindo nas décadas seguintes, de forma que acabou caindo no esquecimento.
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Filmes

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  • Crime de amor (1965), de Rex Endsleigh  
  • O lobo atrás da porta (2013), de Fernando Coimbra;  

Televisão 

  • Culpado ou inocente (1983) - Rede Bandeirantes 
  • Linha Direta Justiça (2003) – Rede Globo; 

Livros  

  • Os olhos dourados do ódio (1962), de José Carlos Oliveira
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  • Características do crime esquizofrênico (1965), de José Alves Garcia.
  • Alguns casos de polícia (1978), de José Monteiro 18
  • Crimes que abalaram o Brasil (2007), de Marcelo F. de Barros, Wilson Aquino,George Moura e Flávio Araújo19 20

Menos de dois quilômetros e quase 51 anos separam os pais de Tânia Maria Coelho Araújo de Neyde Maia Lopes. Tanto a família da menina de 4 anos quanto a responsável pelo crime que chocou o país ainda são assombradas pelas cenas daquele 30 de junho de 1960. Nesse dia, a Fera da Penha pegou um revólver 32, deu um tiro na nuca de Tânia e incendiou o seu corpo num matadouro de bois.
Mesmo depois da tragédia causada por sua amante, Antônio Couto Araújo continuou casado com Nilza Coelho Araújo. Fizeram bodas de ouro. Além de Solange, que já era nascida na época, tiveram outros três rebentos. Hoje são seis netos e dois bisnetos.
— Deus me levou uma, mas me deu mais três — conta Nilza, de 70 anos, na primeira vez em que fala sobre o assunto numa entrevista.
A única recordação palpável de Taninha é uma foto guardada na residência do casal de idosos. Antônio evita conversar sobre o crime. O assassinato é uma espécie de tabu para ele. Mas as lembranças não deixarão de existir. O aposentado fez aniversário na quinta-feira e evitou festa. Em meio à comoção pela morte da menina Lavínia Azeredo de Oliveira, em Caxias, em circunstâncias parecidas com as de Taninha, a dor volta a apertar na casa da família Araújo.

 

 
— Estava conversando com umas amigas e comecei a chorar. São coisas que marcam muito. Mesmo que você queira esquecer, as pessoas não deixam. A humanidade é muito cruel — desabafa Nilza.
Num bairro vizinho ao dela, vive a Fera da Penha. Depois de cumprir 15 anos de prisão, Neyde deixou a cadeia. Morou com os pais, e vive só desde que eles morreram. O endereço dela é uma rua tranquila, onde ainda é possível jogar futebol sem se preocupar com carros. Reclusa, ela pouco sai de casa. A janela de seu apartamento, no segundo andar, costuma ficar fechada, mesmo sem ar-condicionado no imóvel.
Aos 72 anos, ela não conversa com os vizinhos e nunca foi vista acompanhada pelos moradores dos outros 15 apartamentos de seu prédio. Se para ela o destino reservou uma vida na sombra, como uma espécie de maldição pelo crime que cometeu, para Nilza, o tempo que Neyde passou na cadeia foi pouco.


— Ela não cumpriu a pena dela — afirma.

Romaria ao túmulo de Taninha
 Quadra 21, carneiro 17. A funcionária do Cemitério de Inhaúma responde de pronto o local onde está enterrada a menina Taninha. Depois que foi assassinada, a garota passou a ser tratada como santa. Cinco décadas após o crime, sua sepultura continua atraindo fiéis em busca de milagres.
Foto, flores, uma estatueta de São Jorge e até duas bonecas decoram o túmulo da garota. As placas de agradecimento pelas graças alcançadas estão por toda a parte. A última é do ano passado. No chão, os restos de cera comprovam que muitas velas ainda são acendidas para a menina.
— Tem um homem que vem sempre no Dia de Finados. Ele pinta e cuida do túmulo. Não sabemos quem é. Muita gente procura pela sepultura dela até hoje — conta uma funcionária do cemitério.
Há 13 anos, a família de Taninha não visita sua sepultura. Se para os parentes da criança ir ao cemitério é sinônimo de lembranças ruins, para alguns o túmulo da garota funciona como uma espécie de altar
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O FILME

O Lobo atrás da Porta

O Lobo Atrás da Porta é um longa-metragem brasileiro, dirigido por Fernando Coimbra, que recebeu, em 2013, o prêmio Horizontes Latinos na 61ª edição do Festival Internacional de Cinema de San Sebatián, na Espanha
O filme "O lobo atrás da porta" atualiza esse drama e tem seu foco principal na personagem vivida por Leandra Leal, que na película se chama Rosa. Por se tratar de um filme de ficção é possível que muitos dos elementos não correspondam à história da Fera da Penha.
Depois de vencer prêmios nos festivais do Rio, de San Sebástian e de Miami, o longa brasileiro  
No filme, Leandra Leal é Rosa, amante de Bernardo (Milhem Cortaz), que começa a apresentar um comportamento desequilibrado depois de se decepcionar com ele e ao perceber que sua relação nunca será "oficializada". Rosa também é a principal suspeita do desaparecimento de Clarinha, filha de Bernardo e Silvia (Fabiúla Nascimento). Mas os depoimentos de cada envolvido à polícia se contradizem e só aumentam o mistério.
Dirigido pelo estreante Fernando Coimbra, o longa levou para casa os prêmios de melhor filme e melhor direção no Festival de Miami, de melhor filme e melhor atriz no Festival do Rio e melhor filme na categoria Horizontes Latinos no Festival de San Sebástian, na Espanha.


Elenco 
Leandra Leal - Rosa
Milhem Cortaz - Bernardo
Fabiula Nascimento - Sylvia
Juliano Cazarré - Delegado
Thalita Carauta - Bete
Paulo Tiefenthaler
Tamara Taxman
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