BIOGRAFIA,NELSON PIQUET PARTE FINAL

NELSON PIQUET PARTE FINAL
  Williams-Honda
Em 1986 Piquet foi para a equipe de seus dois vice-campeões, a Williams, para desenvolver, junto com seu companheiro de equipe, o inglês Nigel Mansell, o projeto dos motores turbo da Honda. No primeiro ano, o carro mostrou-se competitivo, porém uma sucessão de resultados desfavoráveis e estratégias mal calculadas como na última prova da temporada (GP da Austrália), que levaram Piquet e Mansell a perder o título para Prost. Parte do fracasso se deveu a um grave acidente sofrido pelo dono da equipe, Frank Williams, que o deixou afastado do comando da equipe por vários meses, e fadado a uma cadeira de rodas pelo resto da vida. Frank foi o responsável pela contratação de Piquet, enquanto o seu sócio e engenheiro-chefe da equipe, Patrick Head, era claramente defensor de Mansell na equipe .


No Grande Prêmio da Alemanha em Hockenheim que Piquet usou a malandragem; na 15ª volta, Nigel Mansell com o carro instável errou uma freada e saiu da pista, prejudicando o rendimento dos seus pneus. O piloto avisa pelo rádio à sua equipe para colocar pneus novos nos boxes. A equipe rapidamente se prepara para recebê-lo, mas quem aparece no pit foi o Williams número 6 do piloto brasileiro. Piquet, brilhante, havia antecipado sua parada para trocá-los. Dentro do pit, pelo rádio, Patrick Head comunica ao piloto inglês para não entrar nesta volta, forçando-o a completar mais uma com os pneus bem gastos, já que a equipe estava comprometida com a execução do carro do seu companheiro de equipe.
Na primeira edição do Grande Prêmio da Hungria, Piquet realizou, sobre Ayrton Senna, a ultrapassagem que muitos consideram como a mais bela de todos os tempos na Fórmula 1 – no fim da reta dos boxes, pelo lado de fora de uma curva de 180 graus, escorregando nas quatro rodas. O tricampeão Jackie Stewart, comentando a cena, disse que era "como fazer um looping com um Boeing 747" .
Em 1987, as Williams dominaram a temporada. Piquet sofreu um grave acidente logo no início do ano, em um teste no circuito de Imola, na mesma curva Tamburello que se tornaria famosa pela morte de Ayrton Senna. "Depois desse acidente, minha visão nunca mais foi a mesma, e eu perdi uma parte da noção de profundidade", declarou Piquet anos depois . Mesmo assim, Piquet e Mansell disputaram o título corrida a corrida – e Piquet, para driblar o alegado favorecimento da equipe ao inglês, lançou mão de suas conhecidas artimanhas , como testar com uma configuração ruim do carro, que muitas vezes seria copiada pelos mecânicos de Mansell, e alterá-la completamente minutos antes do treino ou da corrida.

Nos treinos para o GP da Itália, em Monza, o piloto brasileiro estreia a suspensão ativa. Consegue a pole, e também vence. Na prova seguinte, o novo componente é colocado no carro do piloto inglês, mas ele não consegue um acerto adequado. Para não favorecer apenas um lado, a equipe Williams resolve retirar a suspensão dos dois carros.
 A alegação é que o novo componente não estava totalmente pronto para enfrentar uma corrida e que seria muito arriscada colocar uma nova tecnologia sem ainda ter uma certeza plena de que ela seria melhor e mais resistente que a suspensão tradicional. A verdade é que Mansell não entendia o funcionamento correto dela, diferente do Piquet que tirava máximo proveito. Resultado, na reta final, os dois carros voltam para a suspensão convencional em condições iguais. Nos GPs da Espanha e México, Mansell vence, com Piquet em quarto e segundo lugar respectivamente. O brasileiro vai para o Japão com 12 pontos de vantagem. Nos treinos oficiais no circuito de Suzuka, na ânsia de superar o tempo do seu companheiro de equipe, Mansell sofre um forte acidente, embora não o tenha causado ferimentos sérios, deixou-o sem condições para disputar a prova, e Piquet sagrou-se tricampeão mundial por antecipação.
Na última corrida, o GP da Austrália, em Adelaide, o piloto inglês não aparece. Acabou sendo substituído pelo italiano Riccardo Patrese.
Últimas temporadas na Lotus e na Benetton
A Honda, então consagrada com o melhor motor turbo do período, deixou a Williams e em 1988 passou a equipar a McLaren e a Lotus. Para a McLaren, conseguiu a contratação de Ayrton Senna, e para o lugar que Senna deixara na Lotus levou Nelson Piquet com um contrato milionário. Mas o carro amarelo da lendária equipe, projetado pelo engenheiro francês Gérard Ducarouge (que trabalhou com Senna em 1985 à 1987 na equipe), mostrou-se problemático. Mesmo tendo o motor japonês, a Lotus não tinha forças para lutar com a mesma intensidade do que a McLaren. O Lotus era 7 km/h mais lento do que o McLaren no retão em Jacarepaguá. O carro da Lotus era 2 segundos mais lento e aumentava para 3 em San Marino. O carro não reagia as modificações propostas e experimentadas pelo piloto. O diagnóstico de Piquet: excessiva torção na parte traseira do chassi. Segundo comentários da imprensa automobilística internacional, o Lotus 100T tinha a estrutura rígida de uma casquinha de sorvete. O motor não era o problema por causa do baixo rendimento do carro, mas sim o chassi que Piquet declarou publicamente que era "uma merda" e desentendeu-se completamente com Ducarouge. Com condições de disputar posições com os carros equipado com motor aspirado, o piloto terminou o campeonato em 6º lugar com 22 pontos conquistados.


Sem o motor Honda, para 1989 a Lotus contratou Frank Dernie, vindo da Williams; mas o propulsor japonês havia deixado a equipe de Frank, e o time de Peter Warr fechou com o motor Judd que mostrou-se um dos mais fracos da época. O piloto só conseguia se classificar nas provas praticamente no final do grid e disputar posições pelo bloco intermediário e de vez em quando dava para marcar alguns pontos. Para piorar, o brasileiro não conseguiria se classificar para o Grande Prêmio da Bélgica em Spa-Francorchamps, o mesmo acontecendo com o seu companheiro de equipe, o japonês Satoru Nakajima. Pela segunda vez na carreira que o piloto brasileiro ficava ausente de uma corrida. Nenhum pódio, e mais um ano tendo que disputar com o pelotão intermediário, Piquet terminou em 8º lugar no campeonato com 12 pontos.Desiludido com as duas temporadas frustantes na Lotus, Piquet assinou contrato com a equipe Benetton para a temporada de 1990. A falta de potência do motor Cosworth V-8 era compensada pelo notável equilíbrio do chassi do carro, e, após algumas boas corridas, Piquet vence o polêmico GP do Japão, (aquela prova, segundos depois da largada que Senna enfia o seu carro na traseira da Ferrari de Prost ao tentar fazer a primeira curva da pista e com os dois fora da pista, acabou decidindo o campeonato a favor do brasileiro da McLaren). A vitória teve sabor mais especial ainda para Piquet porque o segundo colocado foi o seu amigo de adolescência Roberto Moreno, também pela Benetton, estreando como substituto de Alessandro Nannini, que havia sofrido um gravíssimo acidente de helicóptero que lhe afastou em definitivo da Fórmula 1.
Piquet também venceu a corrida seguinte, o Grande Prêmio da Austrália, após uma manobra arriscada na última volta – Nigel Mansell, que ao volante da Ferrari tentava ultrapassar o brasileiro, foi obrigado a frear fortemente e sair da pista na curva mais fechada do circuito, quando o brasileiro, simples e propositalmente, ignorou sua tentativa e seguiu o traçado normal. Um lance sarcástico típico de Piquet no GP de número 500 da história da categoria. Com o magnífico lance, Piquet terminou em 3º com 43 pontos1, e se classificou à frente de um piloto da McLaren e da Ferrari.
Em 1991, ainda na Benetton, Nelson obteve sua última vitória na F-1 no Grande Prêmio do Canadá, e também em cima de Mansell – a quem Piquet se referia ironicamente como "o idiota veloz". O inglês liderava com mais de 50 segundos e, na última volta, já acenando para os torcedores, começou a andar lento. Por causa disso, o alternador não gerou energia suficiente para abastecer toda a eletrônica embarcada do Williams e o carro simplesmente "morreu". Após a vitória, Piquet passou pelo carro parado de Mansell acenando para o rival. Depois declarou que quando viu o carro do piloto inglês parado naquele momento "quase teve um orgasmo". Neste mesmo ano, a Benetton substituiu Roberto Moreno pelo jovem talento Michael Schumacher, patrocinado pela Mercedes-Benz, que até então havia disputado apenas sua corrida de estreia na Fórmula 1. Insatisfeito com as perspectivas da sua equipe para a temporada de 1992, já que o novo motor Ford Cosworth não era suficientemente potente para deixá-lo em condições de voltar a brigar por títulos, Piquet, já com 39 anos de idade e 204 GPs no currículo, decidiu abandonar a categoria máxima do automobilismo após chegar em 4º lugar no chuvoso Grande Prêmio da Austrália. Encerrou sua carreira na principal categoria em 6º lugar com 26.5 pontos.
Após a Fórmula 1
Em 1992, Piquet começou a entrar em entendimentos com a Ferrari para voltar à Fórmula 1 na temporada do ano seguinte. Piquet era um antigo sonho da scuderia italiana, mas ambas as partes acabaram não se acertando, principalmente devido aos altos valores pedidos pelo piloto. Era o adeus a qualquer perspectiva de retorno. No mesmo ano, Nelson Piquet decidiu correr as 500 Milhas de Indianápolis, com um Lola-Buick da equipe Menards. Rapidamente se destacou como o mais rápido entre os estreantes. Mas, em um dos treinos, um furo lento num pneu fez o carro rodar a toda velocidade na curva 4 e se espatifar de frente na mureta de proteção do circuito. Além de traumatismo craniano e lesão torácica, Piquet sofreu fraturas múltiplas nas pernas e nos pés. Várias cirurgias no Hospital Metodista de Indianápolis reconstruíram os membros inferiores, mas deixaram seqüelas que obrigaram o brasileiro a abandonar as categorias de monopostos. Mesmo assim, Piquet voltou a Indianápolis para a corrida de 1993, pela mesma equipe, mas foi obrigado a abandonar por problemas de motor. Em 1996 se envolveu em um acidente no Rio de Janeiro em evento realizado por marca de carros de luxo.Desde então, Piquet corre apenas por prazer em eventos como as 24 Horas de Le Mans e as 24 Horas de Spa-Francorchamps, e em provas de Turismo como a Mil Milhas Brasileiras, que venceu duas vezes - a última em 2006, dividindo um Aston Martin DBR9 com Hélio Castroneves, Christophe Bouchut e Nelson Ângelo Piquet.
Todos os resultados de Nelson Piquet na Fórmula 1
(legenda) (Corrida marcada em negrito indica pole position; corrida marcada em itálico indica volta mais rápida)
 
AnoEquipeChassisMotorPneus12345678910111213141516PontosClassificação
1991CamelBenetton FordBenetton B190BFord HBV8PEUA
3º
BRA
5º
26.56º
Benetton B191SMR
Ret
MON
Ret
CAN
1º
MEX
Ret
FRA
8º
ING
5º
ALE
Ret
HUN
Ret
BEL
3º
ITA
6º
POR
5º
ESP
11º
JAP
7º
AUS
4º2
1990Benetton Formula LtdBenetton B189BFord HBV8GEUA
4º
BRA
6º
431(44)3º
Benetton B190SMR
5º
MON
Ret
CAN
2º
MEX
6º
FRA
4º
ING
5º
ALE
Ret
HUN
3º
BEL
5º
ITA
7º
POR
5º
ESP
Ret
JAP
1º
AUS
1º
1989Camel Team LotusLotus 101Judd V8GBRA
Ret
SMR
Ret
MON
Ret
MEX
11º
EUA
Ret
CAN
4º
FRA
8º
ING
4º
ALE
5º
HUN
6º
BEL
NQ
ITA
Ret
POR
Ret
ESP
8º
JAP
4º
AUS
Ret
128º
1988Camel Team Lotus HondaLotus 100THonda V6TurboGBRA
3º
SMR
3º
MON
Ret
MEX
Ret
CAN
4º
EUA
Ret
FRA
5º
ING
5º
ALE
Ret
HUN
8º
BEL
4º
ITA
Ret
POR
Ret
ESP
8º
JAP
Ret
AUS
3º
226º
1987CanonWilliams Honda TeamWilliams FW11BHonda V6TurboGBRA
2º
SMR
DNS
BEL
Ret
MON
2º
EUA
2º
FRA
2º
ING
2º
ALE
1º
HUN
1º
AUT
2º
ITA
1º
POR
3º
ESP
4º
MEX
2º
JAP
15º
AUS
Ret
731(76)1º
1986CanonWilliams Honda TeamWilliams FW11Honda V6TurboGBRA
1º
ESP
Ret
SMR
2º
MON
7º
BEL
Ret
CAN
3º
EUA
Ret
FRA
3º
ING
2º
ALE
1º
HUN
1º
AUT
Ret
ITA
1º
POR
3º
MEX
4º
AUS
2º
693º
1985Motor Racing Developments LtdBrabham BT54BMW L4TurboPBRA
Ret
POR
Ret
SMR
8º
MON
Ret
CAN
Ret
EUA
6º
FRA
1º
ING
4º
ALE
Ret
AUT
Ret
HOL
8º
ITA
2º
BEL
5º
EUR
Ret
AFS
Ret
AUS
Ret
218º
1984MRD InternationalBrabham BT53BMW L4TurboMBRA
Ret
AFS
Ret
BEL
9º
SMR
Ret
FRA
Ret
MON
Ret
CAN
1º
USE
1º
EUA
Ret
ING
7º
ALE
Ret
AUT
2º
HOL
Ret
ITA
Ret
EUR
3º
POR
6º
295º
1983Fila SportBrabham BT52BMW L4TurboMBRA
1º
USW
Ret
FRA
2º
SMR
Ret
MON
2º
BEL
4º
USE
4º
CAN
Ret
591º
Brabham BT52BING
2º
ALE
13º
AUT
3º
HOL
Ret
ITA
1º
EUR
1º
AFS
3º
1982ParmalatRacing TeamBrabham BT50BMW L4TurboGAFS
Ret
SMRBEL
5º
MON
Ret
USE
NQ
CAN
1º
HOL
2º
ING
Ret
FRA
Ret
ALE
Ret
AUT
Ret
SUI
4º
ITA
Ret
LVG
Ret
2011º
Brabham BT49DFordCosworthV8BRA
DSQ
USW
Ret
1981ParmalatRacing TeamBrabham BT49CFordCosworthV8MUSW
3º
BRA
12º
ARG
1º
SMR
1º
BEL
Ret
MON
Ret
ESP
Ret
501º
GFRA
3º
ING
Ret
ALE
1º
AUT
3º
HOL
2º
ITA
6º
CAN
5º
LVG
5º
1980ParmalatRacing TeamBrabham BT49FordCosworthV8GARG
2º
BRA
Ret
AFS
4º
USW
1º
BEL
7º
MON
3º
FRA
4º
ING
2º
ALE
4º
AUT
5º
HOL
1º
ITA
1º
CAN
Ret
USE
Ret
542º
1979ParmalatRacing TeamBrabham BT46AAlfa RomeoF12GARG
Ret
316º
Brabham BT48Alfa RomeoV12BRA
Ret
AFS
7º
USW
8º
ESP
Ret
BEL
Ret
MON
Ret
FRA
Ret
ING
Ret
ALE
12º
AUT
Ret
HOL
4º
ITA
Ret
Brabham BT49FordCosworthV8CAN
Ret
USE
12º
1978Team Tissot EnsignEnsign N177FordCosworthV8GALE
Ret
0NC
BS FabricationsMcLaren M23AUT
Ret
HOL
Ret
ITA
9º
ParmalatRacing TeamBrabham BT46Alfa RomeoF12CAN
11º

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