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segunda-feira, 30 de julho de 2012

PEDRINHO MATADOR(serial killer)


                                                            Pedrinho Matador
Pedro Rodrigues Filho, vulgo Pedrinho Matador, (Santa Rita do Sapucaí, 1954) é um serial killer homicida psicopata brasileiro.
Matou pela primeira vez aos catorze anos e seguiu matando e hoje acumula mais de cem homicídios, incluindo o do próprio pai, sendo que 47 pessoas foram mortas dentro dos presídios pelos quais passou. Ainda não respondeu por todos os crimes, mas já foi condenado a quase quatrocentos anos de prisão, a maior pena privativa de liberdade já aplicada no Brasil.
Biografia

Nasceu numa fazenda em Santa Rita do Sapucaí, sul de Minas Gerais, com o crânio ferido, resultado de chutes que o pai desferiu na barriga da mãe durante uma briga. Conta que teve vontade de matar pela primeira vez aos 13 anos. Numa briga com um primo mais velho, empurrou o rapaz para uma prensa de moer cana. Ele não morreu por pouco.
Aos 14 anos ele matou o vice-prefeito de Alfenas, Minas Gerais, por ter demitido seu pai, um guarda escolar, na época acusado de roubar merenda escolar. Depois matou outro vigia, que supunha ser o verdadeiro ladrão. Refugiou-se em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, onde começou a roubar bocas-de-fumo e a matar traficantes. Conheceu a viúva de um líder do tráfico, apelidada de Botinha, e foram viver juntos. Assumiu as tarefas do falecido e logo foi obrigado a eliminar alguns rivais, matando três ex-comparsas. Morou ali até que Botinha foi executada pela polícia. Pedrinho escapou, mas não deixou a venda de drogas. Arregimentou soldados e montou o próprio negócio
Em busca de vingança pelo assassinato da companheira, matou e torturou várias pessoas, tentando descobrir os responsáveis. O mandante, um antigo rival, foi delatado por sua ex-mulher. Pedrinho e quatro amigos o visitaram durante uma festa de casamento. Deixaram um rastro de sete mortos e dezesseis feridos. O matador ainda não tinha completado 18 anos.
Ainda em Mogi, executou o próprio pai numa cadeia da cidade, depois que este matou sua mãe com 21 golpes de facão. A vingança do filho foi cruel: além das facadas, arrancou o coração do pai e possivelmente teria comido um pedaço, segundo dito no programa da Rede Record com o jornalista Marcelo Rezende.
Pedrinho pisou na cadeia pela primeira vez em 24 de maio de 1973 e ali viveu toda a idade adulta. Em 2003, apesar de já condenado a 126 anos de prisão, esteve para ser libertado, pois a lei brasileira proíbe que alguém passe mais de 30 anos atrás das grades, embora um decreto de 1934, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas, permita que psicopatas possam ser mantidos indefinidamente em estabelecimentos psiquiátricos para tratamento. Também por causa de crimes cometidos dentro dos presídios, que aumentaram suas penas para quase 400 anos, sua permanência na prisão foi prorrogada pela Justiça até 2017. Pedrinho contava com a liberdade para refazer sua vida ao lado da namorada, uma ex-presidiária cujo nome ele não revela. Eles se conheceram trocando cartas. Depois de cumprir pena de 12 anos por furto, ela foi solta e visitou Pedrinho no presídio de Taubaté.
Jurado de morte por companheiros de prisão, Pedrinho é um fenômeno de sobrevivência no duro regime carcerário. Dificilmente um encarcerado dura tanto tempo. Matou e feriu dezenas de companheiros para não morrer. Certa vez, atacado por cinco presidiários, matou três e botou a correr os outros dois. Matou um colega de cela porque 'roncava demais' e outro porque 'não ia com a cara dele. Para não deixar dúvidas sobre sua disposição de matar, tatuou no braço esquerdo: 'Mato por prazer', coberta recentemente por outra tatuagem.
Pedrinho é a descrição perfeita do que a medicina chama de psicopata - alguém sem nenhum remorso e nenhuma compaixão pelo semelhante. Os psiquiatras que o analisaram em 1982 para um laudo pericial, escreveram que a maior motivação de sua vida era 'a afirmação violenta do próprio eu'. Diagnosticaram 'caráter paranoide e anti-social'.
Após permanecer 34 anos na prisão, foi solto no dia 24 de abril de 2007   Informações da inteligência da Força Nacional de Segurança indicam que ele foi para o Nordeste, mais precisamente para Fortaleza no Ceará. No dia 15 de setembro de 2011 a mídia local catarinense publicou que Pedrinho Matador foi preso em sua casa na zona rural, onde trabalhava como caseiro, em Balneário Camboriú, litoral catarinense. Segundo o telejornal RBS notícias, ele terá que cumprir pena por acusações como motim e cárcere privado.
DE NORTE A SUL
Pedrinho Matador foi recapturado em 14 de setembro de 2011, na cidade turística de Balenário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina. O criminoso, que diz ter matado mais de cem pessoas, inclusive o pai, foi detido em casa por volta das 11h, por agentes policiais civis da Divisão de Investigações Criminais da cidade de Balneário Camboriú. O agente policial civil que o localizou conta: "recebi informações anônimas que Pedrinho Matador estaria escondido em um sítio no município de Camboriú. De posse desta informação foram efetuadas diligências para localizar com maior precisão o local aonde Pedrinho estaria e se realmente era o referido. Confirmada a informação nos deslocamos até a região e efetuamos a prisão.".
Segundo a delegada Luana Backes, da Divisão de Investigações Criminais de Balneário Camboriú, Pedrinho Matador já cumpriu a pena pelos homicídios — mais da metade cometidos dentro da cadeia — mas foi condenado novamente em agosto deste ano por participação em seis motins e por privação de liberdade de um agente carcerário durante uma das rebeliões.
Além da quantidade de mortes, Pedrinho Matador ganhou notoriedade no país ao prometer matar criminosos como Maníaco do Parque, que agia em São Paulo. Ele costumava estrangular as vítimas.
Por causa da lista de crimes e do comportamento na cadeia, entrou para a lista dos assassinos em série citados pela escritora Ilana Casoy no livro Serial Killer - Made in Brazil. A publicação conta histórias de bandidos como Vampiro de Niterói e Chico Picadinho.
Segundo as leis penais brasileiras, uma pessoa deve ser colocada em liberdade após cumprir 30 anos de prisão, mas um decreto de 1934, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas, permite que psicopatas possam ser mantidos indefinidamente em estabelecimentos psiquiátricos para tratamento, o que mostra o caráter arcaico das leis brasileiras perante o aumento da criminalidade e o surgimento de novas formas de crime.

ele disse -mato por praser
O monstro do sistema
 MATERIA DA REVISTA EPOCA SOBRE O MATADOR
Pedrinho, que diz ter matado mais de 100 pessoas, é o produto máximo de uma estrutura carcerária que só gera violência

RICARDO MENDONÇA, com fotos de OTÁVIO DIAS DE OLIVEIRA


http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT530112-1664-1,00.html

MORADIA Desde 1992 ele é mantido em cela individual, para não matar os vizinhos. Nela, guarda quadros religiosos, pinturas de Bin Laden e livros de Sidney Sheldon. As tatuagens: cruz e anjos sobre o nome da noiva morta

   
TATUAGENS Para reforçar o ar ameaçador, o aviso: 'Mato por prazer'
O cidadão Pedro Rodrigues Filho é muito considerado em sua comunidade. Na Penitenciária do Estado, em São Paulo, é uma espécie de ídolo. Num ambiente em que 16% dos moradores já mataram alguém e as pessoas têm apelidos como Fumacê, Leprinha e Nego Baitola, é a ele que chamam, com reverência, de Pedrinho Matador. Maior homicida da história do sistema prisional, ele se orgulha de ter assassinado mais de 100 pessoas, inclusive o próprio pai. E, para que ninguém tenha dúvidas, tatuou no braço esquerdo: 'Mato por prazer'. Sua especialidade é esfaquear a vítima no abdome. Já matou na rua, no refeitório, na cela, no pátio e até no 'bonde' - o camburão, na linguagem dos bandidos. Perante o juiz, afirmou ter eliminado um detento porque 'não ia com a cara dele'. Em outro caso, foi um colega de cela que roncava demais. Pedrinho pisou na cadeia pela primeira vez em 24 de maio de 1973 e ali viveu toda a idade adulta. Prestes a completar 30 anos de detenção, período máximo de prisão de acordo com a lei penal, ele acredita que será solto no dia 25. Na verdade, isso não acontecerá. Sua pena foi estendida por causa dos crimes que ele cometeu atrás das grades. Pedrinho até poderia recorrer da decisão, mas ele jamais tomou conhecimento dela. Como 75% dos detentos, ele não possui advogado. Aos 48 anos, o criminoso é o produto máximo do sistema carcerário brasileiro. No período que passou atrás das grades, Pedrinho viveu de acordo com as regras não escritas que governam as cadeias brasileiras. Transgrediu apenas uma sobreviveu. Dificilmente um encarcerado dura tanto tempo.

Se a história de Pedrinho fosse transformada em filme, pareceria inverossímil. A violência apareceu antes de seu nascimento. Ele veio ao mundo em 1954, numa fazenda em Santa Rita do Sapucaí, sul de Minas Gerais, com o crânio ferido, resultado de chutes que o pai desferiu na barriga da mãe durante uma briga. Conta que teve vontade de matar pela primeira vez aos 13 anos. Numa briga com um primo mais velho, empurrou o rapaz para uma prensa de moer cana. Ele não morreu por pouco. Como quatro em cada cinco presidiários, Pedrinho tem baixa escolaridade. Nunca foi à escola e caiu precocemente na bandidagem. Seu primeiro crime foi aos 14 anos, quando o pai foi demitido do cargo de vigia da escola municipal, sob a acusação de roubar merenda. Pedrinho matou a tiros o prefeito da cidade, que havia ordenado a demissão, e depois outro vigia, que supunha ser o verdadeiro ladrão. Fugiu para Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, onde moravam seus padrinhos. Conheceu a viúva de um líder do tráfico, apelidada de Botinha, e foram viver juntos. Assumiu as tarefas do falecido e logo foi obrigado a eliminar alguns rivais, matando três ex-comparsas. Morou ali até que Botinha foi executada pela polícia. Pedrinho escapou, mas não deixou a venda de drogas. Arregimentou soldados e montou o próprio negócio.

   
MORADIA Desde 1992 ele é mantido em cela individual, para não matar os vizinhos. Nela, guarda quadros religiosos, pinturas de Bin Laden e livros de Sidney Sheldon. As tatuagens: cruz e anjos sobre o nome da noiva morta
Foi quando encontrou Maria Aparecida Olímpia, por quem se diz apaixonado até hoje - tem seu nome tatuado no braço, perto da inscrição 'Sou capaz de matar por amor'. Ela engravidou, mas não chegou a ter o bebê. Certo dia, ao entrar em casa, Pedrinho encontrou-a morta a tiros. Em busca de vingança, matou e torturou várias pessoas, tentando descobrir os responsáveis. Não conseguiu, até que o mandante, um antigo rival, foi delatado por uma ex-mulher. Pedrinho e quatro amigos o visitaram durante uma festa de casamento. Deixaram um rastro de sete mortos e 16 feridos. Pouco depois de completar 18 anos, com várias mortes nas costas, Pedrinho finalmente foi preso, denunciado pelo pai de uma namorada. Atrás das grades ele perdeu contato com sua quadrilha, ganhou fama de matador e aprendeu a ler e a escrever. Além de se aperfeiçoar na capacidade de eliminar o próximo sem sofrer nenhum tipo de perturbação. Pedrinho é a descrição perfeita do que a medicina chama de psicopata - alguém sem nenhum remorso e nenhuma compaixão pelo semelhante. Os psiquiatras Antonio José Elias Andraus e Norberto Zoner Jr., que o analisaram em 1982 para um laudo pericial, escreveram que a maior motivação de sua vida era 'a afirmação violenta do próprio eu'. Diagnosticaram 'caráter paranóide e anti-socialidade'.

Quando Pedrinho foi para trás das grades, o carro do ano era o Ford Maverick, precisava-se de telefonista para fazer um interurbano e o Chile ainda não havia sequer entrado na ditadura Pinochet. De lá para cá o matador se transformou num tratado ambulante sobre a vida na cadeia. Informado de que seus inimigos armavam uma emboscada, ficou sabendo também que era fácil comprar de um carcereiro uma faca para defender-se. Tratou de providenciar uma. No meio do pátio, um preso lhe deu o bote. Ao sujeito que o atacou, juntaram-se mais quatro. A multidão fez uma roda para ver o massacre. Depois de alguns minutos de pancadaria, porém, três já estavam mortos e Pedrinho continuava lutando. Assustados, os outros dois fugiram.

O bandido ganhou notoriedade por essas matanças. Mas ele gosta de reforçar sua fama contando outras histórias, muitas das quais não se sabe ao certo se aconteceram ou não. Como muitos assassinos em série, seus depoimentos costumam misturar realidade e fantasia e boa parte dos cadáveres que se orgulha de ter produzido nunca foi encontrada. Pedrinho conta, com orgulho, que matou o próprio pai, depois que ele matou sua mãe desconfiado de traição. Diz que, para vingá-la, rasgou o peito do pai a facadas e comeu um pedaço de seu coração. O problema é que, em depoimento a um psiquiatra, ele contou outra história. Disse que o pai foi assassinado por familiares de uma amante. Assim como esse, vários relatos feitos por ele têm contradições. Por isso, não se sabe ao certo quantas pessoas ele assassinou. Em alguns crimes, simplesmente não há registro documental. Na penitenciária, segundo diz, matou um preso apelidado de Raimundão, que extorquia familiares de detentos, e jogou-o no fosso do elevador. Funcionários da instituição se lembram do caso, mas Raimundão não aparece na lista de condenações de Pedrinho. Tudo mostra que o inquérito não identificou o assassino ou a morte foi assumida por outro preso - 'favor' que os líderes da bandidagem costumam pedir a membros menos importantes das quadrilhas.

Perfil - Pedrinho Matador

 Nome
Pedro Rodrigues Filho
 Biografia
Mineiro de Santa Rita do Sapucaí, tem 48 anos. Nunca estudou, foi traficante na adolescência e passou toda a vida adulta na cadeia - desde os 18 anos
 Ficha
Afirma ter matado mais de 100 pessoas. Fez a primeira vítima aos 14 anos. Suas condenações por homicídio somam 128 anos de detenção
 Comportamento
Matou um colega de cela porque 'roncava demais', outro porque 'não ia com a cara dele'. Bateu no médico traficante Hosmany Ramos e prometeu matar o estuprador conhecido como Maníaco do Parque
O aspecto que mais chama a atenção na biografia de Pedrinho é a falta de informação. Ele não sabe quase nada a respeito de seus processos. Entrevistado, surpreendeu-se ao saber que constam apenas 18 acusações. 'Só isso? Não pode ser tão pouco assim', diz. Muitos documentos antigos desapareceram num buraco negro antes da informatização dos tribunais. 'O período mais caótico para os registros penitenciários no Brasil são os anos 70. Muitos documentos sumiram e, para fazer um levantamento dos históricos dos criminosos desse período, a fonte mais confiável são os depoimentos verbais', explica o sociólogo Túlio Kahn, ex-consultor do Ministério da Justiça. Por isso, é provável que Pedrinho tenha matado menos do que diz, porém mais do que aparece em sua ficha, numa mostra de ineficiência da polícia e do Judiciário.

A história do Matador mostra como o sistema carcerário fez com que um bandido perigoso, com problemas psiquiátricos, tivesse sua condição ä agravada - tendo como conseqüência uma matança ainda maior. Com o passar do tempo, Pedrinho começou a puxar a faca por motivos cada vez mais fúteis. Toda vez que foi transferido - para nove instituições diferentes -, Pedrinho cometeu mais crimes. Em 1985, teve a honra de inaugurar o Centro de Readaptação de Taubaté, o Anexo, um regime especial para os presos que não se adaptam a lugar nenhum. De 1992 a 2002, ficou completamente isolado, numa espécie de solitária, onde só tinha contato com os carcereiros. Distraía-se jogando paciência e fazendo ginástica. Há um ano, Pedrinho voltou para a Penitenciária do Estado, onde tem comportamento classificado como 'exemplar'. É o coordenador da limpeza da escola, diz que está mais calmo e que, de inimigo, só tem o Maníaco do Parque, que jurou matar porque não admite violência contra mulheres.

Ao completar 30 anos de prisão, Pedrinho apresenta à Justiça uma questão raríssima: libertá-lo ou não? Dúvidas como essa aparecem no máximo uma vez por ano, segundo um diretor da Penitenciária do Estado, porque poucos presos sobrevivem tanto tempo. Os casos mais famosos são o de Chico Picadinho, o assassino em série que saiu do presídio apenas para continuar confinado no manicômio judiciário, e o do Bandido da Luz Vermelha, que foi jogado nas ruas como um extraterrestre e morreu numa briga meses depois. Em janeiro de 1997 uma defensora pública solicitou a recontagem da pena de Pedrinho para pedir sua soltura em 2003. O pedido foi negado por um juiz, que citou um item do Código Penal segundo o qual crimes cometidos depois do início do cumprimento da pena implicam nova contagem. Com essa interpretação ele só sairá em 2017. O criminalista Rodrigo Dell'Acqua e o promotor Marcelo Mendroni concordam com a tese. Afirmam, no entanto, que a decisão poderia ser questionada em tribunais superiores. Como um recurso demoraria e Pedrinho não tem sequer advogado, é certo que o matador não voltará à rua pelo menos nos próximos meses.
Entrevista -'Não tem remorso, não'

RICARDO MENDONÇA, com fotos de OTÁVIO DIAS DE OLIVEIRA 



Pedrinho, que só na cadeia diz ter matado 47, é contra a pena de morte, quer sair e trabalhar numa igreja, aconselhando crianças
EXERCÍCIO Matador faz 1.000 flexões por dia para se manter em forma
ÉPOCA - Afinal, quantas pessoas você matou?
Pedrinho Matador - Que eu lembro, só aqui (na Penitenciária do Estado) eu matei dez. Mas, veja bem, tudo gente que não presta, viu amigo? Se for contar mesmo é cento e pouco. Só na cadeia eu matei 47.
ÉPOCA - Você diz que matou seu pai. Seus irmãos não ficaram bravos?
Pedrinho - Meus irmãos eram pequenos, todos crentes, como minha mãe. Ficou aquela revolta toda quando ela morreu (assassinada por seu pai). Que eu saiba, não ficaram revoltados, não.
ÉPOCA - Quantos irmãos são?
Pedrinho - Treze. Dez mulheres e três homens. Uma morreu. O bandido matou. Mas eu já matei ele também.
ÉPOCA - Eles visitam você?
Pedrinho - Não gosto que minha família venha aqui, não. A maioria é evangélico, não quero que eles venham. A última visita foi há sete anos, lá em Taubaté (no presídio de segurança máxima). Foi minha irmã mais velha.
ÉPOCAÉ verdade que você espancou Hosmany Ramos (cirurgião plástico que se tornou assaltante de banco e assassino)?
Pedrinho - Tive uma guerra com ele. Bagulho particular. Ele me mandou um bolo envenenado pela teresa (corda que liga uma cela a outra pela janela). Comi e comecei a sangrar pela boca. Só não morri porque tinha um monte de leite em pó que eu comi rapidinho para desintoxicar.
ÉPOCA - Aí você o espancou?
Pedrinho - Não. O Hosmany fez isso porque eu tinha uma treta com ele antes. Tinha um rapaz que tentou uma fuga e o Hosmany delatou. Fui falar e ele me deu um soco na boca. Pra que soco na boca? Já era! Eu já ia matando ele, mas o pessoal separou.
ÉPOCA - Em Taubaté você prometeu matar o Maníaco do Parque.
Pedrinho - Isso. O que ele fez estraga a gente que está preso. Ele fez uma barbaridade. Matou um bocado de menininha indefesa. Eu tenho ódio.
ÉPOCA - Tem algum arrependimento?
Pedrinho - Não tem nada. Só matei quem não presta.
ÉPOCA - Quando você mata alguém, o que vem à cabeça?
Pedrinho - Nada.
ÉPOCA - Nada?
Pedrinho - Nada, porque morreu uma pessoa que não presta. Não tem remorso, não tem nada. Eu tenho uma filosofia: traidor tem de morrer.
ÉPOCA - As pessoas lá fora têm medo de você.
Pedrinho - Têm porque nunca procuraram saber por que eu matei. Veja, eu nunca matei criança. Eu amo as crianças. Quando tem visita, eu fico brincando com elas, dou conselho. Os pais não têm tempo de cuidar porque têm de ficar namorando na cela. Nunca matei mulher nem pai de família.
ÉPOCA - E essa história de matar quebrando o pescoço?
Pedrinho - Isso é quando você tem de matar na mão, no bonde (camburão), no fórum. É fácil, você não sabe?
ÉPOCA - Não, não precisa mostrar...
Pedrinho - É fácil. Tem de pegar desprevenido. Se você estiver esperando não adianta. Matei uns dez assim. Tem lugar que não tem faca, meu!
ÉPOCA - Você conheceu o Bandido da Luz Vermelha?
Pedrinho - Dei uma paulada na cabeça dele. Foi uma particular entre eu e ele. Ele era muito pilantra.
ÉPOCA - Qual a diferença entre a cadeia há 30 anos e a cadeia de hoje?
Pedrinho - Agora está mais evoluído. Antes era lei seca. Não tinha visita íntima. Era tipo vida de escravo. Qualquer coisa o couro comia. Hoje tá moderno. Tem escola, até computador - está bichado, mas tem. Tive curso de pintura, desenho.
ÉPOCA - É verdade que o sujeito sai da cadeia pior do que entrou?
Pedrinho - A cadeia não recupera ninguém, amigo. O cara sai revoltado. Aprende coisa que não sabia.
ÉPOCA - E essa turma do PCC (Primeiro Comando da Capital, grupo que comanda o crime organizado nos presídios paulistas)?
Pedrinho - Isso aí já é um particular que não cabe a mim falar.
ÉPOCA - Você foi convidado?
Pedrinho - Fui, mas não entrei. Ali é o seguinte: depois que surgiu o partido, você vê que a cadeia mudou. Não morre ninguém porque o partido não deixa. É paz. Paz para a Justiça ver. Se começa uma briga, eles seguram. Eles também ajudam quem sai, arrumam trabalho.
ÉPOCA - Você tem advogado?
Pedrinho - Não, eu não quero. Por que eu vou querer advogado agora? Agora que eu tô saindo da cadeia?
ÉPOCA - E se não sair?
Pedrinho - Vou sair, claro. Depois de 30 anos é rua, meu!
ÉPOCA - Como é seu cotidiano?
Pedrinho - Acordo às 4 horas, arrumo a cama, faço a minha física na cela até as 6 horas: cordinha para pular, flexão, prancha. Depois vou pro pátio, corro e tomo banho gelado. Às 8 abre a escola e eu trabalho até a uma da tarde, na arrumação. Aí eu almoço e vou até as 4h30 trabalhando. Cuido de tudo lá. Organizo, não deixo fazer baderna. Depois trancam, eu janto e durmo.
ÉPOCA - Já viu muita morte aqui?
Pedrinho - Ah, mais de 200.
ÉPOCA - Como é a Lei da Cadeia?
Pedrinho - Não pode cagüetar (dedurar). Malandrão morre tudo. Estuprador não fica. Bicha também não. Você não divide cela com quem não é homem, né?
ÉPOCA - Você estudou até que série?
Pedrinho - Nunca estudei. Aprendi a ler na cadeia.
ÉPOCA - Já entrou num shopping? Metrô? McDonald's?
Pedrinho - Como é que fala isso aí? Não conheço nada disso, não. Metrô eu vi pela janela do Carandiru.
ÉPOCA - Você sonha com o quê?
Pedrinho - Sonho com nada, não. Não dá tempo, sabe? Antigamente sonhava. Vivia nervoso. Agora não.
ÉPOCA - O que você lê?
Pedrinho - O livro mais triste que eu li foi Raízes Negras. Tem o filme, conhece? Já li também a coleção do Sidney Sheldon. Agora estou lendo Boas Sementes, que é religioso.
ÉPOCA - Quando sair, vai para onde?
Pedrinho - Trabalhar na igreja, dar conselho pra criança de menor. Um pastor me prometeu.
ÉPOCA - Você é a favor da pena de morte? 
Pedrinho - Eu? Não. Não sou a favor de morte, não.

Retirada de algemas para assinatura do mandado de prisão.
Revólver encontrado com Pedrinho. "Uma relíquia", segundo Matador.