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quinta-feira, maio 12, 2016

O QUE É O PAI NOSSO?

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O QUE É O PAI NOSSO?
 Oração do Senhor, também conhecida como o Pai Nosso ou pai-nosso , é a oração mais conhecida do cristianismo. Duas versões dela ocorrem no Novo Testamento: uma no Evangelho de Mateus (Mateus 6:9-13) ] , como parte do discurso sobre a ostentação, uma secção do Sermão do Monte; e a outra no Evangelho de Lucas (Lucas 11:2-4).
O contexto da oração em Mateus é uma parte de um discurso, sobre um povo sofrido que ora grandiosamente, simplesmente com a finalidade de ser visto orando; Mateus descreve Jesus ensinando as pessoas à orar "após a fórmula" dessa oração. Tendo em conta a estrutura da oração, fluxo de sujeito e ênfases, uma interpretação da Oração do Senhor é como uma orientação sobre como orar em vez de aprender algo ou repetir por hábito. Há outras interpretações sugestivas que a oração foi concebida como uma oração específica à ser usada. O Novo Testamento relata Jesus e seus discípulos orando em várias ocasiões; mas nunca os descreve usando essa oração, é incerto o quão importante ela foi originalmente vista e tida.
Na Páscoa de 2007, foi estimado que dois bilhões de cristãos católicosanglicanosprotestantes e ortodoxos leram, recitaram ou cantaram a oração em milhares de línguas. Embora muitas diferenças teológicas e vários modos e maneiras de adoração dividam cristãos, de acordo com o professor Clayton Schmit do Seminário Fuller "há um senso de solidariedade em saber que os cristãos ao redor do globo estão orando juntos..., e estas palavras sempre nos unirão." 
Bíblia do Peregrino, por meio de Nota de Rodapé à Mateus 6:13, observa que essa oração ressoa a experiência de Israel no processo de sua libertação, o que inclui: provações no deserto, o maná cotidiano, a vontade de Deus promulgada como Lei, a santidade cultual do nome de Deus revelada por Moisés e o reinado de Deus pela aliança na Terra Prometida.
Tradução Ecumênica da Bíblia, por meio de Nota de Rodapé à Mateus 6:9, observa que essa oração:
  1. assemelha-se tanto pelo conteúdo como pela forma à "Oração das Dezoito Preces", que os judeus rezam ainda hoje, mas que se distingue, em primeiro plano, pela simplicidade e pela liberdade como Deus é invocado, além disso a ordem das petições é diferente e característica do ensinamento de Jesus;
  2. tem em seu início uma prece tríplice que tem como ápice um apelo à intervenção de Deus para o advento de seu Reino;
  3. depois tem lugar uma série de petições que exprimem as necessidades essenciais dos discípulos;
  4. o emprego da primeira pessoa do plural dá um caráter comunitário à oração;
  5. na versão apresentada no Evangelho segundo Mateus há sete petições, enquanto que na versão apresentada no Evangelho segundo Lucascontém apenas cinco petições, e que seria impossível dizer qual a versão mais antiga, devendo ambas as formas terem sido empregas em comunidades cristãs primitivas;
  6. existem dificuldades para oferecer a tradução dessa prece para uma língua moderna, a compreensão de certas expressões exigiria um bom conhecimento do Antigo Testamento e do judaísmo antigo, razão pela qual as traduções literais nem sempre seriam as melhores.

1 Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome!

O Pai Nosso na Igreja Primitiva 

Representação paleocristã de Cristo como o Bom Pastor nascatacumbas de São Calisto, em Roma
Deve-se observar que Jesus viveu no contexto da espiritualidade judaica, que nos evangelhos se cita frequentemente os textos sagrados do judaísmo e que Jesus, como judeu, estava sob a Torá. Seguramente orou as Dezoito Bençãos, o Shema, o Avinu Malkenu (Pai nosso, Rei nosso), os Salmos o Tehilim("louvores" em português), entre outras muitas orações que existiam dentro do corpo religioso judaico.
Pode-se assegurar que, se o judaísmo introduziu uma grande novidade no contexto religioso de sua época, o cristianismo trouxe ao mundo de seu tempo uma nova visão da Divindade. Para o cristianismo existia uma deidade, a dos judeus. Só havia um Deus verdadeiro, mas não para um só povo. O Senhor passou de ser um Deus local do povo judeu para ser um Deus universal. O Deus dos cristãos se mostrava a todos os homens que quiseram segui-lo sem distinção de sua origem. Segundo o cristianismo, O Senhor queria um novo povo ao que qualquer homem de boa vontade podia pertencer e esse novo povo era a Igreja. Essa é a razão pela qual diferentes denominações cristãs nomeiam a si mesmas como o Novo Israel.
No principio, os primeiros cristãos se consideravam parte do povo judeus, oravam nas sinagogas e respeitavam toda a Torá. No primeiro Concílio de Jerusalém, narrado no capítulo 15 do livro de Atos dos Apóstolos, se diz que os gentios que abraçavam a Cristo não estavam obrigados a cumprir a Torá dada ao povo de Israel. Por exemplo, os cristãos de origem gentílica não estavam obrigados a circuncidar-se e guardar o Shabat. A partir deste momento, o cristianismo começou a separar-se gradualmente do judaísmo.
O Pai nosso foi fundamental neste ponto. Ao separar-se do judaísmo, o cristianismo teve que ir adquirindo uma identidade própria e a principal separação da espiritualidade judaica era a oração. O cristianismo teria que buscar sua própria oração, para não ser considerado uma seita do judaísmo. O Pai nosso passaria a ser a principal separação que diferenciaria o povo "novo" do "velho" neste ponto da história. A diferença não estava muito clara, entre os judeus e os primeiros seguidores do cristianismo.
Os primeiros cristãos tinham um grande respeito pela Oração dominical. A Oração dominical não se ensinava a qualquer um. Sua recitação constituía um privilégio que só se outorgava aos que já haviam recebido o batismo. Era a última coisa que se ensinava aos catecúmenos e só na véspera de seu batismo. Era a maior e mais apreciada jóia da fé.
Os antigos cristãos das Igrejas da África tomaram sua profissão de fé (quid credendum) desta oração. Uma profissão de fé é uma declaração de suas crenças, um exemplo disto é a oração do Credo, o símbolo niceno do catolicismo latino e oriental. Os que pretendiam obter o batismo deviam ter um profundo conhecimento da oração (quid orandum). Os catecúmenos deviam de seguir detalhadamente a explicação do credo e posteriormente deviam recitá-lo publicamente de memória. A transição entre estes passos era o Pai nosso. A profissão de fé no cristianismo é uma parte fundamental, pois mediante ela se declaram quais são suas crenças fundamentais e básicas. O fim que as igrejas primitivas da África tomaram como base para sua profissão de fé demostra que, desde o princípio do cristianismo, estas palavras de Jesus foram consideradas as mais santas palavras.
Na igreja primitiva, a oração do Pai nosso estava reservada para o momento mais alto da celebração que posteriormente o catolicismo chamaria missa. Haviam de preceder fórmulas que se assemelhavam seu respeito. Estas fórmulas têm sido herdadas por igrejas em suas liturgias atuais: na liturgia da igreja oriental, se diz como introdução: "Tu és digno, ó Senhor, concede-nos que alegremente e sem temor, nos atrevamos a te invocar, Deus celestial, como um Pai, e que digamos: Pai nosso...". Na primitiva liturgia romana o sacerdote precedia a oração com a frase: "nos atrevemos a dizer", reconhecendo a enorme audácia que há em repetir palavras consideradas tão santas pelo cristianismo.

1 Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome!A

Instruções preliminares 

Antes de propor os termos da oração, Jesus faz algumas orientações preliminares (Mateus 6:5-8).
Edição Pastoral da Bíblia comenta essa passagem por meio de uma nota de rodapé relativa a Mateus 6:5-6[4] , que diz que:
Na oração, o homem se volta para Deus, reconhecendo-o como único absoluto, e reconhecendo a si mesmo como criatura, relativizando a auto-suficiência. Por isso, rezar para ser elogiado é colocar-se como centro, falsificando a oração.
Bíblia de Jerusalém comenta essas instruções preliminares por meio de nota de rodapé ao termo "orardes" em Mateus 6:6, na qual observa que[5]: Jesus também instruiu sobre o modo de orar por meio de seu exemplo, como em Mateus 14:23, e a orar:
  1. com humildade diante de Deus (cf. Lucas 18:10-14) e dos homens (cf. Mateus 6:5-6 e Marcos 12:40);
  2. mais com o coração do que com os lábios (cf. Mateus 6:7);
  3. com confiança na bondade do Pai (cf. Mateus 6:8 e Mateus 7:7-11);
  4. com persistência (cf. Lucas 11:5-8 e Lucas 18:1-8);
  5. com , para que seja atendida (cf. Mateus 21:22);
  6. em seu nome (cf. Mateus 18:19-20João 14:13-14João 15:7João 15:16 e João 16:23-27);
  7. para pedir coisas boas (cf. Mateus 7:11), tais como:
7.1: o Espírito Santo (cf. Lucas 11:13);
7.2: o perdão (cf. Marcos 11:25);
7.3: o bem para aqueles que perseguem os cristãos(cf. Mateus 5:44 e Lucas 23:34);
7.4: a vinda do Reino de Deus e a preservação durante a provação escatológica (cf. Mateus 24:20Mateus 26:41Lucas 21:36 e Lucas 22:31-32).
Bíblia do Peregrino comenta essas instruções preliminares por meio de notas de rodapé que observam que:
  1. não se referem à oração comunitária que é necessariamente pública e é respaldada por diversos salmos que se referem ao louvor a Deus perante a assembleia;
  2. alguns Salmos se referem à oração feita antes de dormir (ex: Salmos 4:5 e Salmos 77:3-5) ou de súplica dos doentes (ex. Salmos 6: e Salmos 38:);
  3. não se deve converter a oração em espetáculo, pois seria um contrassenso louvar a Deus para glória própria, que não estaria confinado no templo, mas presente em toda a parte, ainda que oculto (cf. Isaías 45:15);
  4. Mateus 6:6 tem um precedente no Antigo Testamento em: II Reis 4:33;
  5. não condenam a frequência (cf. Lucas 18:1), mas a prolixidade (cf. Tiago 1:26 e Eclesiástico 7:14);
  6. Mateus 6:8 tem precedentes no Antigo Testamento em: Isaías 65:24 e Salmos 139:4.
Tradução Ecumênica da Bíblia comenta essas instruções preliminares por meio de notas de rodapé que observam  que:
  1. se referem às preces que deveriam ser feitas em horas fixas, e nessas ocasiões os hipócritas procuravam se fazer notar;
  2. traduz a primeira parte de Mateus 6:7 como "Quando orardes não multipliqueis as palavras", e diz que o verbo grego "battalogein" permite diversas interpretações, razões pelas alguns preferem traduzir como: "(não) dizer coisas vãs" ou "(não) dizer palavras sem sentido", outros dizem que Jesus se referia a suspiros mágicos que multiplicavam fórmulas abracadábricas para aplacar a divindade;
  3. o erro na oração pagã (cf. I Reis 18:27) ou judaica (cf. Isaías 18:27 e Eclesiástico 7:14) consistiria em por meio da sua extensão pressionar a divindade.

2 Venha a nós o vosso Reino! 2 Venha a nós o vosso Reino!A 3  Seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no céu! 3  Seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no céu!A 4A O pão nosso, de cada dia, dai-nos hoje! 4A O pão nosso, de cada dia, dai-nos hoje!A 4B O pão nosso, de cada dia, dai-nos hoje! 4B O pão nosso, de cada dia, dai-nos hoje!A 5A  Perdoai as nos 5A  Perdoai as nosA 5B  Perdoai 5B  PerdoaiA 6 Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal 6 Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do malA 7  Assim seja!

Pai Nosso na Igreja Católica 


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Segundo a doutrina católicaJesus ensinou o Pai Nosso   aos seus discípulos, que estavam ansiosos em saber como rezar bem, no famosoSermão da Montanha. O Pai-Nosso ou Padre-Nosso é uma "oração cristã insubstituível", "a síntese de todo o Evangelho (Tertuliano) e a oração perfeitíssima (São Tomás de Aquino)". "A tradição litúrgica da Igreja usou sempre o texto de Mateus 6, 9-13 
De acordo com o Catecismo de São Pio X, o Pai-Nosso possui 7 petições precedidas de um preâmbulo 
Em português :
Pai (Padre) Nosso que estais nos Céus,
1 santificado seja o Vosso Nome. 
2 venha a nós o Vosso reino 
3 seja feita a Vossa vontade assim na terra como no céu 
4 O pão nosso de cada dia nos dai hoje.  
5 Perdoai-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores. [31]
6 e não nos deixeis, cair em tentação. 
7 mas livrai-nos do Mal 
Amém.

7  Assim seja!A
Em latim :
Pater noster, qui es in caelis:
1 sanctificetur Nomen Tuum;
2 adveniat Regnum Tuum;
3 fiat voluntas Tua, sicut in caelo, et in terra.
4 Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
5 et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
6 et ne nos inducas in tentationem;
7 sed libera nos a Malo.
Amen.

Z1
Há, nos dias atuais, uma versão da oração rezada incorretamente em português, onde os "Céus" estão no singular e ocorre a omissão do pronome oblíquo átono da 1ª pessoa do plural "nos".
Para a Igreja Católica, o Pai-Nosso é também "a oração da Igreja por excelência [...] visto que as suas sete petições, fundadas no mistério da salvação já realizada, [...] serão plenamente atendidas na vinda do Senhor. O Pai Nosso é também parte integrante da Liturgia das Horas".  Estas "sete petições a Deus Pai" são divididas em duas partes: 
  • "as primeiras três, mais teologais, aproximam-nos d’Ele, para a sua glória: pois é próprio do amor pensar antes de mais n’Aquele que amamos. Elas sugerem o que em especial devemos pedir-Lhe: a santificação do seu Nome, a vinda do seu Reino, a realização da sua Vontade". 
  • "as últimas quatro apresentam ao Pai de misericórdia as nossas misérias e as nossas expectativas. Pedimos que nos alimente, nos perdoe, nos defenda nas tentações e nos livre doMaligno". 
Para além destas petições, o Pai-Nosso também revela à humanidade a sua relação especial e filial com Deus Pai. A partir de então, "podemos invocar a Deus como Pai [...] porque Ele nos foi revelado por seu Filho feito homem e porque o seu Espírito no-Lo faz conhecer. [...] Ao rezar a oração do Senhor estamos conscientes" e absolutamente confiantes de sermos filhos de Deus e de sermos "amados e atendidos" por Deus Pai. "Sempre que rezamos ao Pai, adoramo-Lo e glorificamo-Lo com o Filho e o Espírito", porque estas três Pessoas divinas formam a Santíssima Trindade. 
Nesta oração considerada pelos católicos como única e profunda em significado, os fiéis invocam também Deus como "Pai Nosso [...] porque a Igreja de Cristo é a comunhão duma multidão de irmãos que têm um só coração, uma só alma (At 4,32)" e um só Deus.[  Jesus, nesta oração, afirma que Deus está nos céus porque Ele, o infinitamente santo, não está apenas num lugar físico próprio, mas sim "no coração dos justos", daqueles que fazem a Sua vontade. Esta afirmação também faz lembrar aos crentes que "o céu, ou a Casa do Pai, constitui a verdadeira pátria para a qual tendemos na esperança, enquanto estamos ainda na terra. Nós vivemos já nela 'escondidos com Cristo em Deus' (Cl 3,3)". 

Z2
Versão latina

Pai Nosso (Oração do Senhor) lido em latim eclesiástico
A versão latina da oração tem importância cultural e histórica no Ocidente e principalmente na Igreja Católica. O texto usado na liturgia (Missa, Liturgia das Horas, etc.) diverge levemente do que foi usado na Vulgata e provavelmente é anterior a ela.A doxologia associada a Oração do Senhor é encontrada em quatro manuscritos da Vetus Latina, apenas duas dão em sua integridade o texto. Outros manuscritos sobreviventes da Vetus Latina não tem a doxologia. A tradução da Vulgata também não a inclui, concordando assim com as edições do críticas do texto grego.Nas liturgias do rito latino, a doxologia nunca está ligada a Oração do Senhor. Ela só foi usada na liturgia do rito romano, está na missa como revisada após o Concílio do Vaticano II. Ela não está localizada imediatamente após a Oração do Senhor, mas sim após a oração sacerdotal, Libera nos, quaesumus..., elaborada na petição final, Libera nos a malo (Livra-nos do mal).
Z3 Z4 Z5 Z6 Z7 Z8 Z9 Z10 Z11