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sábado, outubro 13, 2012

O QUE E POLIOMIELITE?

            Poliomielite
A poliomielite, também conhecida como pólio ou paralisia infantil, é uma doença viral altamente contagiosa, que afeta principalmente crianças pequenas. O vírus é transmitido através de alimentos e água contaminados, e se multiplica no intestino, de onde se pode invadir o sistema nervoso. Muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas, mas continuam contaminando outras pessoas.  Causa paralisia e deformações no corpo. Está sendo erradicada em todo mundo com graças a campanhas de vacinação. Poliós (p?????) significa cinza, myelós (µ?e???) se refere à espinal medula e o sufixo -ite é usado para inflamações.
Causa
A poliomielite é causada pela infecção pelo vírus chamado poliovirus. O poliovírus é um enterovírus, com genoma de RNA simples (unicatenar) de sentido positivo (serve diretamente como RNAm para a síntese proteica).


ESTRUTURA DO VÍRUS DA POLIOMIELITE
Existem três sorotipos, distintos imunologicamente, mas idênticos nas manifestações clínicas, excetos 85% dos casos de poliomielite paralítica (o mais grave tipo) que são causados pelo sorotipo 1.
O vírus não tem envelope bilipídico, é recoberto apenas pelo capsídeo e é extremamente resistente às condições externas. Existem três tipos de antígenos de poliovírus diferentes identificados em laboratório.
O modo de aquisição do poliovírus é oral, através de transmissão fecal-oral ou, raramente, oral-oral. A multiplicação inicial do poliovírus ocorre nos locais por onde penetra no organismo (garganta e intestinos). Em seguida dissemina-se pela corrente sangüínea e, então, infecta o sistema nervoso, onde a sua multiplicação pode ocasionar a destruição de células (neurônios motores), o que resulta em paralisia flácida.


        Epidemiologia

É mais comum em crianças ("paralisia infantil"), mas também ocorre em adultos, como a transmissão do poliovírus "selvagem" pode se dar de pessoa a pessoa através da ingestão de água e alimentos contaminados, o que é crítico em situações nas quais as condições sanitárias e de higiene são inadequadas.
Crianças de pouca idade, ainda sem hábitos de higiene desenvolvidos, estão particularmente sob risco. O poliovírus também pode ser disseminado por contaminação fecal de rios e plantações.
Todos os doentes, assintomáticos ou sintomáticos, expulsam grande quantidade de vírus infecciosos nas fezes, até cerca de três semanas depois da infecção do indivíduo.
Os seres humanos são os únicos atingidos e os únicos reservatórios, portanto a vacinação universal pode erradicar essa doença completamente.

  Progressão e sintomas
O período entre a infecção com o poliovírus e o início dos sintomas (incubação) varia de 3 a 35 dias. A descrição seguinte refere-se à poliomielite maior, paralítica, mas esta corresponde a uma minoria dos casos. Na maioria o sistema imunológico destrói o vírus em alguma fase antes da paralisia A infecção é oral e há invasão e multiplicação do tecido linfático da faringe (tonsilas ou amígdalas). Ele é daí ingerido e sobrevive ao suco gástrico, invadindo os enterócitos do intestino a partir do lúmen e aí multiplicando-se. As manifestações iniciais são parecidas com as de outras doenças virais. Podem ser semelhantes às infecções respiratórias (febre e dor de garganta, gripe) ou gastrointestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal). Em seguida dissemina-se pela corrente sangüínea e vai infectar por essa via os órgãos. Os mais atingidos são o sistema nervoso incluindo cérebro, coração e o fígado. A multiplicação nas células do sistema nervoso (encefalite) pode ocasionar a destruição de neurônios motores, o que resulta em paralisia flácida dos músculos por eles inervados.
As manifestações clínicas da infecção são variadas e podem ser descritas em quatro grupos:
Doença assimptomática: mais de 90% dos casos são assimptomáticos, com limitação efectiva pelo sistema imunitário da infecção à faringe e intestino. Não há sintomas e a resolução é rápida sem quaisquer complicações. 
Poliomielite abortiva ou "doença menor": ocorre em 5% dos casos, com febre, dores de cabeça, dores de garganta, mal estar e vómitos, mas sem complicações sérias.

Poliomielite não-paralítica com meningite asséptica: ocorre em 1 ou 2% dos casos. Além dos sintomas iniciais da doença menor, ocorre inflamação das meninges do cérebro com dores de cabeça fortes e espasmos musculares mas sem danos significativos neuronais.
Poliomielite paralítica ou "doença maior": de 0,1 a 2% dos casos. Após os três ou quatro dias depois dos sintomas iniciais da doença menor desaparecerem (ou cerca de 10 dias depois de se iniciarem), surge a paralisia devido a danos nos neurónios da medula espinal e córtex motor do cérebro. A paralisia flácida (porque os membros afectados são maleáveis ao contrário da rigidez que ocorre noutras doenças) afecta um ou mais membros e músculos faciais. O número de músculos afectados varia de doente para doente e tanto pode afectar apenas um grupo discreto como produzir paralisia de todos os músculos do corpo. Se afectar os músculos associados ao sistema respiratório ou o centro neuronal medular que controla a respiração subconsciente directamente, a morte é provável por asfixia.

A paralisia respiratória é devida à poliomielite bulbar, que afecta esses nervos: a taxa de mortalidade da variedade bulbar é 75%. As regiões corporais paralisadas conservam a sensibilidade. Se o doente sobreviver alguns poderão recuperar alguma mobilidade nos músculos afectados, mas frequentemente a paralisia é irreversível. A mortalidade total de vítimas da poliomielite paralítica é de 15 a 30% para os adultos e 2 a 5% para crianças. 
A síndrome pós-poliomielite atinge cerca de metade das vítimas de poliomielite muitos anos depois da recuperação (por vezes mais de 40 anos depois). Caracteriza-se pela atrofia de músculos, presumivelmente pela destruição no tempo da doença de muitos neurónios que os inervavam. Com a perda de actividade muscular da velhice, a atrofia normal para a idade processa-se a taxas muito mais aceleradas devido a esse factor.

  Diagnóstico

A poliomielite paralítica pode ser suspeitada clinicamente em indivíduos com paralisia flácida de surgimento agudo em um ou mais membros com reflexos tendinosos diminuídos ou ausentes nos membros afetados. Estes achados não podem ser atribuídos a outra causa aparente e não pode haver perda sensitiva ou cognitiva.
O diagnóstico definitivo é por detecção do DNA viral com PCR ou isolamento e observação com microscópio electrónico do vírus de fluidos corporais.

       Tratamento
A poliomielite não tem tratamento específico. No passado preservava-se a vida dos doentes com poliomielite bulbar e paralisia do diafragma e outros músculos respiratórios com o auxílio de máquinas que criavam as pressões positivas e negativas necessárias à respiração (respiração artificial ou pulmão de ferro). Antes dos programas de vacinação, os hospitais pediátricos de todo o mundo estavam cheios de crianças perfeitamente lúcidas condenadas à prisão do seu "pulmão de ferro".
Sendo uma doença neurológica crônica, não há tratamento específico para a poliomielite. Os doentes devem ser submetidos a programas de reabilitação, para fortalecer os músculos atrofiados. Nos casos mais graves, em que os músculos respiratórios foram afetados, os pacientes devem ser submetidos a tratamentos com pulmões mecânicos.

 Prevenção
A única medida preventiva eficaz contra a doença é a vacinação. Há dois tipos de vacina: a vacina inativada (Salk) e a vacina oral (Sabin).
A vacina inativada (Salk) consiste nos três sorotipos do vírus inactivos com formalina ("mortos"), e foi introduzida em 1955 por Jonas Salk. Tem a vantagem de ser estável, mas é cara e tem de ser injectada três vezes, sendo a protecção menor.
A vacina oral (Sabin), que começou a ser testada em humanos em 1957 e foi licenciada em 1962, consiste nos três sorotipos vivos mas pouco virulentos. É de administração oral, baixo preço e alta eficácia, mas em 1 caso em cada milhão os vírus vivos tornam-se virulentos e causam paralisia. Nos países onde a poliomielite ainda existe deve ser usada a Sabin porque o risco baixo é mais que contrabalançado pelo risco real da verdadeira poliomielite. Nos países onde ela já foi erradicada, a vacina Salk é mais que suficiente e os riscos de paralisia menos aceitáveis.
Uma pessoa que se infecta com o poliovírus pode ou não desenvolver a doença

pessoas com sequelas da doença

Quando apresenta a doença, pode desenvolver paralisia flácida (permanente ou transitória), meningite ou, eventualmente, evoluir para o óbito. Desenvolvendo ou não sintomas o indivíduo infectado elimina o poliovírus nas fezes, o qual pode ser transmitido para outras pessoas por via oral. A transmissão do poliovírus ocorre mais freqüentemente a partir do indivíduo assintomático. A eliminação é mais intensa 7 a 10 dias antes do início das manifestações iniciais, mas o poliovírus pode continuar a ser eliminado durante 3 a 6 semanas.



livro

     História
A poliomielite é conhecida desde a pré-história. Em pinturas do antigo Egipto já aparecem figuras com membros flácidos atrofiados típicos da doença.
O Imperador romano Claudius, conhecido por um defeito físico que até hoje se associa ao significado do seu nome, o verbo claudicar (Do lat. claudicare.), foi prejudicado em uma das pernas, possívelmente por poliomielite em sua infância. A primeira descrição médica da doença foi feita por Jakob Heine em 1840 enquanto Karl Oskar Medin foi o primeiro a estudá-la seriamente em 1890, o que levou à sua denominação alternativa, doença de Heine-Medin.
Casos de pólio diminuíram mais de 99% desde 1988, quando havia uma estimativa de 350.000 casos. Atualmente, graças a campanha de erradicação mundial, apenas cerca de 1000-2000 casos são notificados anualmente.

File:Jakobheine.jpg
Jakob Heine

Em 1988, a OMS com o apoio do Rotary International, no seguimento da erradicação do vírus da varíola, estabeleceu o objetivo de através de campanhas de vacinação erradicar o poliovirus do planeta até ao ano 2000.
O epidemiologista brasileiro Ciro de Quadros foi um dos líderes da campanha mundial pela erradicação da pólio.
A Europa, a Austrália, América do Norte e a América do Sul já se encontram livres. Porém em 2010, a África ainda possuía focos ativos na Nigéria. Na Ásia ela também não se encontra erradicada, pois na (Índia) ainda ocorrem casos todos os anos, bem como no Afeganistão e no Paquistão.


Ciro de Quadros

Recentemente, a Fundação Bill e Melinda Gates deu um importante donativo de US$155 milhões para a Fundação Rotária do Rotary International com objetivo de completar a última fase de erradicação da poliomielite. Os rotarianos, como são chamados os associados a Rotary Clubs do Rotary International, tem o objetivo de arrecadar até 30 de junho de 2012 mais US$200 milhões, para que então a Fundação Bill e Melinda Gates complete este valor, doando mais US$200 milhões, totalizando US$555 milhões, valor necessário para extermínio total do vírus da poliomielite da Terra.

O último caso de transmissão selvagem em Portugal foi em 1986, e no Brasil em 1989. A vacinação continua como medida de prevenção, pois ainda existem casos em outros países e é difícil a identificação dos infectados sem sintomas. Frequentemente indivíduos contaminados circulam em países livres da doença. Enquanto houverem crianças infectadas em algum lugar no mundo, outras crianças em todos países continuarão sob o risco de contrair a poliomielite. Em 2009-2010, 23 países que já estavam livres da pólio foram re-infectados devido à importação do vírus.

albert sabin criador da vacina

Em 2009, mais de 361 milhões de crianças foram imunizadas em 40 países em 273 campanhas de vacinação diferentes (AIS). Globalmente, a vigilância da poliomielite atingiu ápices históricos e diversas organizações (como Rotary International, UNICEF, OMS, Cruz Vermelha e Médicos sem Fronteiras) estão trabalhando juntas para sua erradicação.

Progresso :
1988: 350.000 casos
1999: 7083 casos
2004: 1300 casos
2009: 1604 casos